Logo ao sair do Starbuck, Helena aborda seu filho:
- Nicolas? Hey, Nicolas, espera!
- Hm? Eu conheço a senhora?
- Bom, deveria, afinal, eu sou sua mãe...
- Mãe? Olha senhora, não sei que piada a senhora ta querendo fazer, e não to com paciência pra essas brincadeirinhas.
- Não é brincadeira nenhuma, estou falando sério!
- Ta bom, ta bom, diga o que quiser. Não sou obrigado a ficar ouvindo nenhuma maluca dizer que é minha mãe. - Nicolas vira as costas e sai andando.
Sentida pelas palavras do filho, Helena sai caminhando por ai, perdida em seus próprios pensamentos. Uma súbita buzina a tira de seu transe. Assustada, ela só tem tempo de ver o ônibus que vem em sua direção. Antes que pudesse reagir, alguém a puxa para fora da rua.
- Você esta bem?? - Pergunta uma voz familiar.
Ao olhar para trás, ela o reconhece. Aquele homem moreno, alto, aqueles braços fortes que a seguravam, se chamava Roger. Sua memória, a princípio confusa, começa a clarear. Imagens e recordações deles juntos passam por sua mente. Eles se conheceram em uma festa alguns anos atrás, e vem saindo sem compromisso desde então. Ela lembrava dele, mas não conseguia evitar aquela sensação de que as memórias não eram dela, como se as estivesse vendo pelos olhos de uma outra versão sua.
- Estou sim, obrigada, um pouco abalada, mas sim, estou bem - Ela responde enquanto se solta dos braços de Roger.
- Bom, você ainda está meio pálida, mas quem não estaria não é mesmo? O que me diz de a gente ir em algum lugar? Você ta com cara de quem precisa desabafar.
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